21/02/2009

O Governo Global - Parte 3

Aproveitando o mote do post anterior, resolvi expandir um assunto tratado aqui há uns três meses. Na verdade, são informações de dezembro do ano passado que acabei deixando de comentar aqui. Mas, devido à relevância, ainda convém tratá-las no blog.

Clique abaixo para ver as outras partes:
Parte 1
Parte 2

Pois bem, a revista britânica The Economist lança todos os anos uma edição especial com predições de jornalistas, políticos e homens de negócio sobre o ano que segue. A edição de The World in 2009 traz, entre outros, um artigo assinado por Harry Kissinger, ex-secretário de Estado dos EUA e, desde Eisenhower, está direta ou indiretamente ligado a todos os presidentes norte-americanos. Seu artigo fala de economia, frente às expectativas geradas pela atual crise. Mas o que mais me chamou foram as entrelinhas. Pedro Doria traduziu e comentou:

O velho diplomata dedica seu artigo a uma interessante análise dos resultados políticos do modelo econômico implantado no mundo desde a queda da União Soviética. (...)

Segundo Kissinger, o modelo é falho. Desde que foi adotado internacionalmente, despertou uma série de crises no México, nos Tigres Asiáticos, na Argentina. Ele diz que, nos EUA e na Europa, as crises foram interpretadas como vacilos de quem não se habituou com o sistema. Ninguém entre os ricos imaginou que o problema estivesse no próprio sistema, quanto mais que a crise pudesse se reproduzir em casa.

O pulo do gato para entender a falha, segundo Kissinger, é perceber um descompasso. O sistema econômico mundial foi globalizado. O sistema político, não: continua se baseando no Estado nação. Portanto, quem dita as regras para a economia internacionalizada é cada país individualmente.

(...)

A economia é global. O poder político sobre os fluxos de recursos, local. Ele continua:

Agora que os pés de barro do sistema econômico foram expostos, o descompasso entre um sistema econômico global e um sistema político baseado no Estado nação precisa ser encarado. A economia precisa se submeter, benefícios trabalhistas devem ser revistos e a dependência em acúmulo de dívida externa deve ser vencida. A esperança é que, neste processo, lições passadas a respeito de abuso do poder do Estado não sejam esquecidas.

Ou seja, se o mundo possui um único modelo global de se tratar a economia, políticas locais e protecionistas tendem a atrapalhar de uma forma ou de outra. Kissinger não ousa ir tão longe, mas deixa claro que uma "gerência" política mundial começa a se fazer necessária para evitar descompassos econômicos como os que geraram esta crise. Acredito que se o diplomata tivesse insinuado algo assim há um ano seria questionado quanto à sua sanidade. Hoje, ainda que remotamente, já admite-se esta possibilidade.

Junte-se isto ao já escritos nos posts indicados acima, podemos concluir que as peças estão se juntando.

Em breve, trarei mais um post sobre o assunto, desta vez com a opinião de um renomado jornalista especializado em economia que defende um governo global a partir do sucesso da União Européia.

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