7 de ago de 2007

Pré-Molar – a Trágica Saga de um Dente Perdido (e como foi bom tê-lo perdido)

Primeiramente, quero me desculpar pela ausência. Farei o possível para atualizar este blog todos os dias. Mas, como é típico da Lei de Gerson, na semana em que o lanço, ocorrem dois probleminhas: Fico sem internet e sem dente. Esta última perda, como vocês já devem ter percebido pelo título, será o tema deste post.
Novamente remeto à minha infância para lembrar algo que aprendi com minha mãe: cuidar dos dentes! Tudo bem que eu nunca fui um modelo de comercial de pasta de dente, mas sempre me esforcei para ter uma boa dentição. E tem dado certo. Quer dizer, tinha. Acontece que há uns três anos eu estava morando fora do Estado, em condições razoavelmente precárias, quando comecei a sentir uma baita dor de dente. E agora? Um forasteiro sem dinheiro, sem plano odontológico, sem mãe e nem esposa por perto e com dor de dente. O que eu fiz? Como um bom espécime do sexo masculino, nada. Tomei remédio pra dor. E quando a dor aumentava: mais remédio. Aí a dor passou e ficou tudo bem. Viu como foi fácil! O problema é que, quando enfim retornei à terrinha, fui ao dentista e o que eu ouvi?
- Vamos ter que fazer um canal!
Meu primeiro canal. Que decepção. Que vergonha para a minha mãe ter um filho que... fez um canal! Fazer o quê!? Fiz o canal, óbvio. Agora, achava eu, estava tudo resolvido. Mal sabia que a novela estava apenas começando. Um dente canalizado é um dente morto. Então, eu não deveria sentir nada. Mas sentia. Depois de seis meses fui a outro profissional e foi constatado que uma pecinha (sei lá o nome daquilo) tinha passado do ponto e incomodava a gengiva. Fui encaminhado para um terceiro profissional para fazer “retratamento”. Abriram o dente, cavaram, cavaram e... nada. Fui levado a mais um dentista (já é o quarto!) porque “este com certeza vai resolver”. Não resolveu, mas veio com uma solução fantástica:
- Deixa como está e depois a gente vê o que acontece.
Eu não sei como não fui capaz de pensar nisto antes! Ok, o tempo passou, o incômodo até que foi diminuindo e há alguns dias minha dentista viu que o dito dente estava muito fragilizado e deveria ser tratado. Isto aconteceria numa terça-feira. Aconteceria, pois na sexta anterior uma mordida numa macaxeira frita partiu meu dente em dois. Só pra deixar claro, a macaxeira foi inocente nesta história. Eu até acho que se fosse um mousse seria tudo do mesmo jeito. Até que tentei ver a possibilidade de recuperá-lo de alguma forma. Não houve. Numa atitude inédita de abertura de mão e pausa na pão-durisse, fui a um profissional de renome (claro que foi particular!) que constatou que havia uma infecção e extraiu o dente. Ao retirá-lo, ele viu que a infecção havia criado um granuloma, um princípio do que poderia vir a ser um tumor. Mas eu não tinha com o que me preocupar, pois o problema foi detectado e eliminado muito cedo. Ao fim de tudo, o dentista sem querer me deu, numa frase, a razão de tudo aquilo:
- A melhor coisa que lhe aconteceu foi você ter perdido esse dente!
Que coisa! Perder um dente é uma coisa ruim. Ou pelo menos deveria ser. Falando sério, percebo agora que Deus me abençoou profundamente em tudo isso. Primeiramente me dando tranqüilidade em todo este processo e, especialmente, quando constatei que deveria arrancar o dente, o que em outros momentos seria deprimente e vergonhoso para mim. Mas imagino que este texto seja a prova contrária disto. No fim, lembrei que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito (Romanos 8:28). Mas e nos casos em que esta constatação não vem? Não importa. Se eu amo a Deus e sei que fui chamado por Ele, sei que devo agradecê-Lo, pois por mais inexplicável que um sofrimento ou dificuldade possa ser. Eu espero que todos os que leiam este texto entendam, ou venham a entender a profundidade disso. Como foi bom ter perdido um dente e como sou grato a Deus por isso!
Agora, é pensar no implante. Se render outra história, ela estará aqui!

4 comentários:

Anônimo disse...

Bom dia Germano!
Conheço bem essa saga odontológica!Há pouco tempo atrás passei quase trës anos tentando concluir um canal,escutando do profissional que eu estava muito ansiosa (depois esperar por *apenas* 3 anos de tratamento) e tendo, por fim, que arrancar o dente noutro local e fazer um implante.Náo houve maiores desdobramenos, no meu caso, como aconteceu com vocè e talvez por isso a interferëncia divina náo tenha ficado táo evidente, mas sei que de alguma forma Ele estava lá, no comando.
Gostei muito do texto, da forma leve e humorada que vocë o escreveu!Bjos pra vc e Bebeta!
Isabelle de Morais

Anônimo disse...

Doeu... mas não até na alma, que aliás, sorriu com todos os dentes!!
Um abraço de parabens pelo talento e pelo Blog!
Ruver

Anônimo disse...

Amor, eu náo estava ao seu lado, quando o problema comecou, mas gracas a deus, pude estar com voce para entender como a mao de Deus, livrou vocE de algo bem pior, atraves de algo que aparentemente náo foi tao bom. To com voce sempre, e nao so na "dor"de dente! bj
Roberta

Anônimo disse...

Your blog keeps getting better and better! Your older articles are not as good as newer ones you have a lot more creativity and originality now keep it up!